domingo, 23 de outubro de 2011

Vinho

A história do vinho em Portugal começou no século VII a.C., com a chegada dos gregos, que plantaram as primeiras vinhas na península Ibérica. Mas o que interessa mesmo é o século XV, durante o reinado de Dom Afonso Henriques, quando o país iniciou a política de exportação, na esteira dos descobrimentos. Outro nome importante da história do vinho português foi o marquês de Pombal, que em 1756 criou a primeira região de vinhos demarcada do mundo, o Douro, onde se faz o famoso vinho do Porto. Portugal é um país muito generoso em castas viníferas locais, entre elas Touriga Nacional, tinta considerada a rainha das uvas portuguesas, Touriga Francesa, Arinto, Sercial, Castelão, Periquita, Trincadeira etc. A diversidade é enorme, tanto de uvas brancas quanto de tintas, o que faz de Portugal um produtor original e muito qualificado.




Através das rotas dos vinhos de Portugal pode fazer excelentes passeios e conhecer um prazer aperfeiçoado ao longo dos tempos. 


Na região do Minho iniciou a história de Portugal. A foto mostra o largo da igreja Matriz da cidade medieval de Melgaço e suas muralhas. Não é por menos que um dos melhores vinhos verdes chama-se Muros Antigos.
Esta região situa-se no extremo norte de Portugal, tendo o rio Minho, como fronteira natural com a Espanha.
O vinho é chamado de verde não porque sejam os vinhos de uvas verdes ou colhidas imaturas. Existe o vinho verde de uvas tintas.
O vinho é verde pois vem da região verde de Portugal, assim chamada pelos índices de chuva o ano todo, a vegetação por lá é constante.
O Vinho verde tem por característica um baixo teor alcoólico, algo em torno de 8 a 10 GL, acidez marcante, alguns com a “agulha” devida a acidez, e por vezes o aparecimento de CO2.
Esta característica se deve ao fato de ser produzido em pequenas propriedades, muitas vezes com várias uvas misturadas, resultando no que chamam de vinho verde de lote, ou seja, as vezes até mais de 10 tipos de uvas diferentes.
Importante ressaltar que os melhores vinhos verdes provêm das seguintes castas:
Loureiro: Vinhos aromáticos, lembram frutos de polpa branca, como maçã e pêra, acidez média – alta, na boca macio refescante e de final prolongado.
Alvarinho: Vinhos mais famosos, acidez alta e marcante, nariz cítrico, boca mineral e de gosto prolongado. Como a acidez é alta são, também, vinhos de guarda, podendo aguentar, pelo menos 8 a 10 anos.
Trajadura: Menos aromático que os outros dois, acidez mediana, serve de fiel escudeiro da Alvarinho para, inclsuive, acalmar a acidez desta última.
Avesso: Com características parecidas com a Alvarinho, mas geralmente vendido como espumante.
Vinhos de Bucelas
Bem perto de Lisboa,
Os vinhos de Colares e Bucelas permitem conhecer das zonas mais bonitas em torno da cidade.

Os tintos de Colares cultivam-se na verde Serra de Sintra, pontuada de magníficos palácios. A Unesco classificou a simbiose entre floresta e monumentos como Paisagem Cultural da Humanidade e a vinha estende-se pelo Parque Natural de Sintra-Cascais, até às praias e ao mítico Cabo da Roca, ponto mais ocidental do continente europeu.

Dali ou do Palácio de Queluz, siga até ao monumental Convento de Mafra, ambos a visitar, e continue para a área rural de Bucelas. O vinho é dos melhores brancos portugueses.

Na margem sul do Tejo pode descobrir outros tesouros na Rota do Vinho da Costa Azul, sempre perto do mar.



Não passe sem provar o Moscatel de Setúbal.



Do interior, onde o Dão corre apertado entre montanhas, ao litoral de lagoas e vastos areais, duas Rotas no centro de Portugal.
Ocupam áreas especialmente férteis para a vinha, em que registos do séc. XII já falam da excelência dos vinhos aqui produzidos, como o Dão, com fama desde a fundação de Portugal.

Um percurso monumental começa no rico património construído de Viseu e faz um círculo em volta do Dão, onde o granito impera.

Entre o Dão e o Mondego a paisagem é mais verde, feita de vinhas dos solares e quintas da região, à mistura com florestas, já no Caramulo.

Entre o Vouga e o Paiva ficam termas, como S. Pedro do Sul, templos românicos e aldeias de telhados de xisto.
Também na Rota do Vinho da Bairrada encontra termas - Luso e Curia - onde se destacam hotéis com o charme dos anos 20 e 30 do séc. XX. Como o do vizinho Buçaco, lugar de eleição para viver a tranquilidade e ar puro da serra e da mata.

Perto da costa, são as lagoas e rios que dão serenidade ao ambiente. Junto ao mar, que influi no carácter dos vinhos da Bairrada, encontram-se dunas e praias extensas, onde as casas pintadas de riscas coloridas são um atractivo.
Açores: vinho verdelho


A cultura da vinha na Ilha do Pico começou no final do séc.XV, quando se iniciou o povoamento da ilha. Graças ao solo vulcânico, rico em nutrientes, e ao micro clima seco e quente das encostas, as vinhas, da casta verdelho, conseguiam condições excepcionais de maturação. Foi por isso que este vinho adquiriu uma especificidade própria, e a paisagem onde se insere, profundamente trabalhada pelo homem para domar a rocha em terra arável, faz hoje parte da lista do Património da Humanidade.

Pico, um dos pontos de maior interesse da ilha, marcando a paisagem de pequenas quadrículas formadas por muros de pedra basáltica.
Continuando ao longo dos tempos a produzir vinhos de excepcional qualidade, recentemente a Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico tem lançado novos vinhos, nomeadamente o "Lajido", legítimo herdeiro do velho "verdelho", e distintos vinhos de mesa, branco e tinto.

Vinho Madeira

Um verdadeiro paraíso vinícola!


Apreciado em todo o mundo, este "néctar" é um dos ex-líbris da Ilha da Madeira. Escolhido para celebrar a Independência dos EUA, em 1776, elogiado por Shakespeare, apreciado por reis, príncipes, generais e exploradores, o Vinho Madeira é sem sombra de dúvidas um verdadeiro tesouro.

Embora existam mais de 30 castas diferentes as mais nobres são: Sercial, Boal, Verdelho e Malvasia. Aproveite para conhecê-las e é claro, para provar os seus diferentes paladares. Nos secos destaca-se a Sercial, ideal como aperitivo, leve, muito perfumado e de cor clara. Verdelho, delicado, bastante perfumado e de cor dourada, é o mais indicado para acompanhar refeições. Meio-doce, suave, nobre, aveludado e de cor dourada escura, a Boal é a mais recomendada entre o assado e a sobremesa.
Entre refeições ou à sobremesa são poucos os que resistem à Malvasia. Representa o vinho doce, encorpado de perfume intenso e cor vermelha.

O solo e o clima únicos da Madeira contribuem para a distinção inigualável do Vinho Madeira, com os vinhedos cultivados à mão, em pequenos recintos de

terra suportados por paredes de pedra (terraços) nas encostas das montanhas.

Vinho do Douro e do Porto

A mais antiga região de vinha demarcada do mundo.
A Região do Douro é a mais antiga região de vinha demarcada do mundo de que se tem conhecimento, tendo o "título" desde 1756. Estendendo-se ao longo do vale do rio Douro, património mundial da UNESCO, aqui produzem-se excelentes vinhos, como o famoso Vinho do Porto.

A Rota do Vinho do Porto tem a particularidade de se poder fazer de carro, comboio ou barco, uma vez que o rio é navegável do Porto a Barca d’Alva, na fronteira com Espanha.

Deixe-se encantar com a paisagem do Douro: os vales, o rio serpenteante, as vinhas em socalcos, o ar puro... E aproveite para visitar algumas quintas produtoras de vinho do Douro e do Porto, como a Quinta do Noval, a Quinta do Seixo, a Quinta do Vale Meão e a Quinta do Crasto.
Em jeito de passeio, embarque num barco rabelo, no cais de Gaia, e siga até à Régua, onde pode apanhar o antigo comboio a vapor, fazendo uma viagem histórica. No Pinhão, conheça os famosos painéis de azulejos da estação, atravesse a ponte e percorra as estradas ondulantes que bordejam o rio.

Aliando a qualidade à sofisticação, pernoite no Solar da Rede, em Mesão Frio, ou no Hotel Vintage House, no Pinhão. Uma atmosfera de onde não apetece partir!
Vinho Verde

Os vinhos verdes de Portugal, únicos no mundo, são um agradável motivo para descobrir o Minho.
O vinho verde, leve e algo atrevido, vai bem com peixes e mariscos. Ou com uma pausa refrescante num dia de calor. No atlântico Minho, de relevo acidentado a norte do país, as videiras trepam em latadas e bordam campos pontuados por típicos espigueiros. No verde da paisagem, com rios vários, ergue-se o granito dos muitos solares e monumentos, a visitar.

Comece na costa, em Caminha e Vila Nova de Cerveira, tão pitorescas como Valença, à beira do Minho. Mais a norte, Monção e Melgaço são centro do mais apreciado vinho verde português: o Alvarinho. Perto, fica o Parque Nacional da Peneda-Gerês, com aldeias de serra cheias de história e tradição, como Castro Laboreiro e Soajo.
Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima devem o nome a rios que lhes dão graça e frescura, como Viana do Castelo, na foz do Lima. Passe ainda por Barcelos, à beira do Cávado, e por Braga, cujo património evoca as raízes ancestrais da região.

Noutro percurso, Guimarães, berço da nacionalidade e Património Mundial, alia-se a Amarante, bela cidade que combina igualmente rio e património. Não parta sem uma visita às mais emblemáticas quintas da região, tão famosas pelas suas casas senhoriais, como pela qualidade dos seus vinhos.



Beber vinho com moderação além de ser uma atitude saudável, ajuda melhor a apreciar os diversos pratos que compõem a rica e variada gastronomia nacional.

Beber vinho é um acto de cultura. É fundamental a escolha do tipo de vinho de acordo com o prato servido. Existem regras básicas, por todos sobejamente conhecidas, que nos dizem que um prato de peixe deverá ser servido com um vinho branco, que os mariscos vão bem com os vinhos verdes ou com brancos acídulos, que as carnes se fazem acompanhar por vinhos tintos e que com as sobremesas dever-se-ão servir vinhos licorosos ou espumantes mais ou menos doces. Alguns exemplos: Mariscos: cozidos: vão bem com vinho branco leve, acídulo ou com vinho verde branco. gratinados ou cozinhados com gordura, ervas aromáticas, especiarias ou natas: requerem um vinho branco seco, menos acídulo e menos jovem. Peixes: cozidos ou grelhados: são beneficiados quando acompanhados por um vinho branco, um pouco acídulo, leve, frutado e vivo. no forno: deverão ser servidos com vinho branco mais seco, encorpado e capitoso. Excepções: Com a sardinha assada e o bacalhau, vai bem um vinho tinto, encorpado e de preferência com alguma adstringência. Carnes: vermelhas: necessitam de vinhos tintos encorpados, com "bouquet". brancas: irão melhor com vinhos brancos fortes ou rosados, mais jovens e menos carregados de aroma e sabor, como Chardonnay ou Sauvignon. Excepção - O leitão assado no forno deverá sempre ter um espumante natural a acompanhá-lo. Caça: Combina com vinho tinto velho, aveludado, com um bom "bouquet". Pastas: Com creme de leite ou suaves: combina com vinho tinto suave, frutado. com muito condimento: necessitam de vinhos tintos encorporados, com "bouquet". Saladas: Especialmente as de folhas verdes: combina com vinho tinto. Doçaria: Acompanha bem com um vinho licoroso doce ou meio doce, conforme a sobremesa tenha mais ou menos açúcar na sua confecção, ou com um espumante doce. Excepção – Se os doces tiverem chocolate ou nozes nunca acompanhar com espumante. Os espumantes vão bem com tudo - Está na moda, começar e acabar uma refeição sempre na mesma companhia: o espumante natural. Como aperitivo, o melhor é aquele que nos possa estimular o apetite para a refeição. Poderá ser um espumante bruto, um Madeira seco, um Porto branco seco ou, porque não, um vinho branco fresco e frutado, com o qual iremos continuar durante a refeição, até ao prato de carne. O que nunca deverá ser servido como aperitivo, são os cocktails, pois estes deixarão o palato incapaz de apreciar os vinhos que venham a ser servidos posteriormente com a refeição. Como digestivo e para terminar a refeição deverá servir-se uma aguardente vínica ou bagaceira.

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